Relato Santa Marta de Braços Abertos 2014

O Projeto de Braços Abertos chegou pela primeira vez à comunidade Santa Marta, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, neste sábado, 8 de novembro. Comemorando sua décima edição, desta vez com inovação por ser uma prova noturna de 5 km tendo sido a largada às 20hs.
Cerca de 1500 pessoas participaram da prova, além do circuito de 5 km, foi incluso circuitos menores para crianças entre 1 a 13 anos.
Consagrando-se campeão no masculino CLEITON PEDRO MACHADO com tempo de 26:15 e no feminino ISABELLA DELFIM NEVES com tempo de 35:13. Vejam os demais resultados aqui.



Análise Crítica





Um dos pontos mais positivos que encontrei foi o calor humano que a comunidade recepcionou os participantes, talvez tenha sido esta a corrida do projeto que tenha existido maior integração entre morro e asfalto. Com um percurso muito perigoso tendo um misto de becos, vielas, escadarias, trilhas e paralelepípedos ainda sendo à noite, pôde proporcionar uma adrenalina inédita aos atletas que contaram com os moradores da comunidade dando um grande apoio com uma torcida calorosa. O kit singelo mais belo e desta vez incluindo uma lanterna de pôr na cabeça mais do que necessária para alguns trechos. Todo aparato que os organizadores montaram para proporcionarem uma festa foi válido, pois o que aconteceu foi uma verdadeira festa ao som de músicas de “baladas” e claro, funk carioca. Parabéns aos organizadores proporcionando esporte, saúde, integração, com a inscrição solidária de 2 kg de alimento não perecível.





Um dos pontos negativos foram as falhas que tiveram no processo de inscrições, tendo esgotado as inscrições online rapidamente assim logo em seguida divulgado no site do evento que se poderia fazer na comunidade, porém quem tentou voltou insatisfeito com um “não” para casa. Algo que me preocupou muito foi a quantidade de crianças da comunidade entre o percurso logo na hora da largada, correndo grande risco de serem pisoteadas, podendo acontecer uma tragédia, a galera da organização junto à PMERJ tem que dar ênfase nas próximas corridas no Santa Marta em relação a este fato, pois por pouco um menino não foi pisoteado, quando o vi naquela confusão já quase caindo o coloquei em um local seguro. O “empurra-empurra” nos becos parecia ser inevitável, pois só passavam um de cada vez em muitas vielas, mas muitos atletas precisam ter bom senso, não há necessidade de bloquear os demais que vêm atrás, percebeu que está mais lento, abra passagem.


Minha Prova:

Antes de qualquer coisa posso afirmar que esta foi a prova com maior adrenalina que já participei em minha vida até o momento. Comecei conservador, pois não tinha noção do que viria pela frente, os primeiros minutos de prova foram de engarrafamento nas vielas, aos pouco foi descongestionando, logo em seguida na subida das escadarias entre becos, surgiu uma trilha que era um “breu”, muito escuro, agradeci a Deus por ter levado a lanterna do kit, pois quase a deixei imaginando que não iria ser necessária, esta trilha muito perigosa tendo que ter tido extrema atenção, após a trilha descida em uma rua de paralelepípedo e depois subindo, optei por revezar entre trotes e caminhada ao subir a rua, com uma estratégia de fazer um descida forte, porém não imaginava que a descida seria pelas escadas dos becos, a partir daí foi só emoção, pois decidi manter a estratégia de descer forte, mesmo nas escadas, relembrei da minha infância de moleque de favela e foi nisso que me transformei em um moleque, fui pulando degraus patamar por patamar, recebendo força dos moradores a cada salto que fazia, degraus desnivelados fazendo com que eu tomasse um tombo, levantei e segui rindo quando analisei que nada de grave havia acontecido, mais adiante confundi a quantidade de degraus em uma das escadas e fiz um salto muito alto, desta vez senti que havia forçado o tornozelo, mas ainda estava inteiro e ultrapassei muitos atletas que se encontravam reciosos de descer as escadarias pulando os patamares. Me senti aqueles caras de bike nas escadarias de Santos, só que nesta aventura estava eu saltitando as escadarias do Santa Marta, técnica que improvisei relembrando a minha infância, finalizei muito feliz com o tempo de 37:48 ficando entre o top 50, mas tempo e colocação não me importou e sim a emoção com misto de adrenalina.    


Muita animação entre os participantes aguardando a largada.

A galera de Juiz de Fora - MG prestigiando mais uma corrida Braços Abertos

Dona Lindalva tirando onda

Muita torcida dos moradores do Santa Marta 

Suor e água e atenção nos becos

Cuidado com os degraus

Encontros e amizade






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