Projeto 90 km - Comrades Marathon - Rodrigo Muniz

Hoje o cara é o Rodrigo Muniz, atleta de 35 anos, gaúcho, morador da Cidade de São Paulo, apesar de ter sido assíduo no surf, skate e bike quando morava no sul, ficou um tempo parado, pois em Sampa ficou deslocado e sem companheiros de praticas esportivas, porem em julho de 2012 sua esposa o incentivou a correr, sendo que só conseguia 5 minutos caminhando e 5 minutos correndo, ao finalizar os 30 minutos já era uma festa. Como sua constância da pratica da corrida era baixa, de dez em dez dias em média, procurou uma prova de corrida de rua como estímulo, aí então foi picado pelo o running, aquele clima da largada e a sensação da chegada da sua primeira prova foi o divisor de mares, assim ficou decidido que ele e a corrida iriam ter uma história longa pela frente. Desta forma, entusiasmado, foi criando metas de provas de 5 km e já em julho de 2013 estava completando sua primeira prova de 10 km. E quando citei longa história, não foi um exagero, pois ao ler uma matéria na Revista Runner’s sobre a Comrades Marathon em julho deste ano, chegou a uma conclusão, que sua meta seria a Ultramaratona Comrades.
A Comrades Marathon é uma Ultramaratona de 89 km (individual) realizada todos os anos na África do Sul. Internacionalmente reconhecida pelo desafio ao corpo e a mente humana. A corrida tem características próprias, desde o fato de cada ano ser “UP RUN” ou “DOWN RUN”, intercaladamente, ou seja, percurso com mais subidas ou mais descidas dependendo do ano.





                                                                              Em 2013 foi um “UP RUN” (ano de subidas) de Durban para Pietermaritzburg. As dificuldades são grandes, a começar pelo desgaste da própria viagem, a adaptação ao fuso horário (5h00’ a menos), a alimentação, a distância do local da largada e o próprio percurso, que é muito difícil. Praticamente não há trechos planos – ou se está subindo ou descendo. E apesar de termos conhecimento de que a prova nos anos pares são em DOWN RUN, prevalecendo as descidas, existe a nítida impressão de que há mais trechos em aclive. Mais um motivo de preocupação, sobretudo para os estreantes, alem disso a edição de 2013 da Comrades foi realizada em junho e as estatísticas foram assustadoras, pois de 18000 inscritos, apenas 10000 concluintes, uma prova que não dar para brincar. A COMRADES foi idealizada por Vic Clapham,
veterano da 1ª Guerra, para homenagear os companheiros mortos no grande conflito. Daí o nome, que significa “CAMARADAS”. A primeira edição ocorreu em 1921 e foi vencida por Bill Rowan, com o tempo de 8h59’. As medalhas são diferenciadas em função da chegada dos atletas. Até o 10º lugar, para ambos os sexos, é concedida a medalha de ouro (de verdade). Ao 11º colocado e para aqueles que completam com o tempo de até 7h29’59”, é destinada a medalha de prata. Aos que concluem com o tempo entre 7h30’ e 8h59’59” é entregue a medalha Bill Rowan, de cobre na parte central com um anel externo de prata. Os atletas que finalizam com o tempo entre 9h00’ e 10h59’59” recebem medalha de bronze e àqueles que findam com o tempo compreendido entre 11h00’ e 11h59’59” é entregue a medalha Vic Clapham, completando acima de 12h00’, não há medalha nenhuma.
Por este motivo, nos minutos que antecedem a marca limite estabelecida pela organização podemos presenciar cenas comoventes de corredores desesperados buscando suas últimas energias para concluir a prova no prazo determinado. Vale mencionar que durante o percurso existem três ou quatro pontos de corte ou eliminação de atletas que, teoricamente, ultrapassariam a marca fixada.

Vamos agora saber um pouco mais de Rodrigo Muniz e seu projeto 90 km (http://90km.wordpress.com) para a Comrade na África do Sul: 

SPC: Rodrigo Muniz vou começar lhe fazendo uma pergunta sorrateira. Você se considera louco? E seus amigos? 
RM: Eu sempre acreditei que todos nós podemos alcançar nossos objetivos, sejam quais forem. Para isto basta empenho e dedicação. A Comrades parece loucura em um primeiro momento, mas deve ser encarada como qualquer outro desafio. À distância e a diferença de altimetria geram um impacto maior na percepção das pessoas, mas se estiver bem preparado não acredito ser loucura. Considero as pessoas que não possuem experiência na corrida e decidem participar de uma prova de 5 km sem a devida preparação mais loucas do que eu. Rsrsrs
A maioria dos meus amigos não pratica a corrida de rua, o que gera uma tendência em achar a Comrades loucura. Mas o importante é que todos me apoiam neste desafio.

SPC: No seu meio de convívio existem mais pessoas que te incentivam ou que tentam te desanimar? Como você lhe dar com isso?
RM: Felizmente todos em minha volta me incentivam. Minha família apesar de estar longe sempre me apoiou. Meus pais ficam preocupados, mas respeitam minha decisão. Meu irmão gostou da ideia desde o início e provavelmente viajará para a África do Sul comigo. Mas a base para tudo é minha esposa. É ela que participa do dia a dia dos treinos e das restrições que o acompanham. Sem ela provavelmente não conseguiria seguir em frente.

SPC: Já conseguiu contagiar algum amigo para esta empreitada da Comrades?
RM: Na verdade nunca convidei ninguém. 
Este projeto exige muita dedicação por um longo período, por isto acredito que a vontade de encará-lo deve partir da própria pessoa. Todos sabem que estou no projeto e se algum amigo me procurar para fazer parte dele ficarei muito feliz em compartilhá-lo.

SPC: Hoje você tem no currículo algumas provas de 5 km e de 10 km, quais serão suas principais metas até a Comrade? Em qual ano deseja fazer esta ultramaratona na África? 
RM: Como o projeto é longo bolei uma estratégia para manter a motivação em alta. Criei metas intermediárias para alcançar conquistas em prazos menores.
• São Silvestre (15k) – Meta atual
• Meia Maratona (21k)
• Meia Maratona (21k) com foco em aclive – Ex.: Wine Run
• Maratona (42k)
• Maratona (42k) com foco em aclive – Ex: Mizuno Uphill
• Maratona (42k) Cross Country – Ex: K42 Bombinhas
Existe uma pequena chance de a Comrades vir em 2015, mas o mais provável é que faça a prova em 2016. Quem definirá a data é o meu corpo. Conforme ele for respondendo aos treinos posso adiantar ou adiar o ano da prova.

SPC: Sabemos que foi em julho/2013 quando leu uma matéria da Revista Runner’s sobre o relato da Comrades na visão do Rei da Maratona da Disney Adriano Bastos, mas quando começou pôr em prática este projeto 90 km?
RM: Esta matéria mexeu comigo. Não tomei a decisão no momento em que a li, pois no inicio até eu achei loucura. Mas o ideia foi brotando e criando corpo aos poucos. O relato do Adriano Bastos foi muito motivante e o li algumas vezes. No início de agosto eu comecei a falar para a minha esposa que correria a Comrades, mas ela não me levou a sério. Ela só acreditou quando pedi sugestões de nomes para o blog. rsrs 

SPC: Basicamente o que mudou na sua rotina? Como está conciliando, treinos, estudos, vida profissional, social e familiar?
RM: Ainda está tranquilo, mas tenho ciência que as coisas irão complicar mais para frente. 
Até alcançar a meta da meia maratona a rotina de treino está sendo a seguinte:
• segunda-feira – musculação
• terça-feira – treino de ritmo
• quarta-feira – musculação
• quinta-feira – treino de estabilidade
• sexta-feira – livre
• sábado – treino longo
• domingo – livre
Nunca furo o treino de corrida, mas existem semanas em que realizo apenas 1 dia de musculação. Como minha esposa gosta de praticar esportes ela me acompanha na academia. Isto ajuda muito para evitar conflitos sociais. Geralmente realizo os treinos de corrida na academia durante a semana e nos finais de semana vou para a rua.

SPC: Existe algum apoio na sua empreitada para Comrades? (dinheiro, alimentação, médico, psicológico, treinamento etc.).
RM: Existem 3 frentes que considero essenciais para alcançar o sucesso nesta empreitada, são elas: assessoria de corrida, acompanhamento nutricional e reforço muscular. Desde o início do projeto conto com apoio de assessoria de corrida e acompanhamento nutricional.
A KM Esportes é a assessoria responsável por montar meus treinos de corrida. Especializada em treinamento de corrida de rua o diferencial está no alto nível técnico dos
treinadores, todos com certificação em treinamento de corrida pela VO2 pro, que é uma metodologia especializada em treinamento de corrida. Outra vantagem da KM Esportes é o sistema online que permite aos treinadores manterem o controle sobre meus treinos mesmo a distância, o que é importante devido minha agenda de trabalho.
A Nutricius é a responsável pelo meu plano nutricional. Referência na área, à nutricionista do esporte Mariana Klopfer, realiza acompanhamento semanal, adequando minha dieta conforme a planilha de treinos repassados pela KM Esportes. 
Ainda não possuo apoio para realizar reforço muscular. Atualmente faço na academia, mas não é algo voltado para a corrida de rua. Pretendo buscar apoio em uma empresa especializada em treinamento funcional. Minha referência atual é o grupo Core 360 do Luciano D’Lia.
Além destes existem vários apoios que seriam interessantes, principalmente quando o volume de treinos aumentar. O tênis por exemplo: o volume de treino atual demanda 1 novo par a cada 4 meses, mas próximo a Comrades será necessário substituí-los a cada 1 mês e meio.

SPC: Qual é a sua referência no mundo running? O quanto está sendo importante nesta tarefa?
RM: Os meus treinadores Alexandre Machado e Thiago Oliveira. O Alexandre é tri campeão brasileiro como treinador em corrida de montanha, possui 5 livros publicados e é o criador do método VO2PRO. O Thiago foi eleito pelo segundo ano consecutivo o melhor professor de running class da academia Bodytech em SP e é o responsável direto pela evolução que tive até o momento. Em 3 meses de treino baixei meu tempo nos 5km de 27min45seg para 23min13seg.

SPC: Vi no Blog 90 km que teve uma lesão durante há pouco tempo, pode descrever como foi?
RM: Foi uma lesão leve chamada periostite. É uma inflamação na membrana que envolve o osso tibial próximo a canela.
Passei a sentir dor durante os treinos, mas como ela sumia logo após eu parar de correr acabei não dando muita importância. Isto pendurou por 3 semanas, até o dia em que realizei um longão de 18 km e a dor não passou após o treino. Fiquei por 2 meses parado e isto custou minha primeira meia maratona que estava programada para o início de novembro. A recuperação não costuma ser muito demorada. Acredito que no meu caso estendeu um pouco mais devido ao tratamento adotado. O primeiro ortopedista que fui realizou o diagnóstico correto, mas não receitou nenhum tratamento. Apenas solicitou que aguardasse a dor passar. Como estava demorando muito para melhorar procurei outro ortopedista. O diagnóstico foi o mesmo, mas desta vez foi receitado anti-inflamatório e 10 sessões de fisioterapia. Já na quinta sessão de fisioterapia consegui retornar aos treinos. Claro que ainda estou voltando aos poucos para não forçar demais. O objetivo neste momento não é trabalhar velocidade e sim apenas acumular volume para conseguir completar a São Silvestre deste ano. 

SPC: Quais foram as experiências que esta lesão lhe trouxe?
RM: Aprendi a “escutar” melhor as respostas enviadas pelo meu corpo.
Apesar de todos falarem isto tem coisas que só aprendemos quando vivenciamos na prática. Senti dores durante 3 semanas de treinos e não dei a devida importância. Isto me afastou dos treinos durante 2 meses. 

SPC: O que mais lhe motiva a correr?
RM: Preciso de esporte na minha rotina diária para equilibrar o stress do trabalho. Antes de me mudar para São Paulo era adepto do surf, skate e bicicleta, o que conseguia manter com frequência durante a semana. Em São Paulo, não consegui manter estes esportes e acabei passando 1 ano turbulento. Por incentivo da minha esposa comecei a correr e felizmente a corrida preencheu este espaço. Mas para me manter motivado na corrida preciso ter objetivos. Por isto a Comrades.

SPC: Já pensou em desistir de seu projeto 90 km?
RM: Não, nunca. Como falei anteriormente defini metas intermediarias e procuro focar apenas nelas. Isto me ajuda porque o próximo objetivo nunca está tão longe.

SPC: Há possibilidade de você antecipar a Comrade?
RM: Sim. O objetivo inicial é realiza-la em 2016, mas posso adianta-la. Tudo depende de como meu corpo responde aos treinos. As metas intermediárias são analisadas individualmente. Por exemplo: após realizar a primeira meia maratona iremos avaliar como foi meu desempenho. Com base nesta análise podemos optar por realizar outra meia maratona ou partir para a maratona. O mais importante é saber que meus apoiadores estão comigo pelo tempo que for necessário. Isto tira uma pressão que poderia me forçar a realizar a Comrades sem realmente estar preparado.

SPC: A quem você dedicará esta futura conquista?
RM: A minha família, que estará ao meu lado em todas as etapas deste desafio.

SPC: O que o running significa em sua vida?
RM: Hoje o running significa estabilidade em minha vida. Como falei anteriormente o esporte é uma válvula de escape para o stress do dia a dia.

SPC: Deixe uma frase que resuma esta batalha para alcançar sua meta principal.
RM: “Todos têm todas as possibilidades. O que cerceia a pessoa é a sua própria cabeça.” (Nuno Cobra)

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