MARATONA DO RIO 2018


Enfim fiz a mais temida e respeitada prova do atletismo, a maratona, 42 kms de corrida no belo cenário da orla do meu Rio de Janeiro.
Para ser sincero, nunca temi esta prova, durante a minha pequena jornada de cinco anos nas provas de corrida de rua sempre me achei apto, mas nunca fiz, por dois motivos, o primeiro por achar que é um ciclo de treino que se toma muito tempo para se preparar, tomando boa parte das 24 horas dos meus dias que já acho pouca. O segundo motivo é de ser conservador em sair fazendo tudo dentro do mesmo esporte e enjoar, ficar de "saco cheio". Mas o meu motivo de estrear este ano, foi simples, fiquei lesionado no menisco quase o ano inteiro de 2016, pensei em não conseguir mais correr, então quando fiquei curado, resolvi começar fazer as maiores distâncias, como a minha especialidade eram em 5 kms e 10 kms com velocidade forte, decidi inovar em 2017, estrear uma meia maratona ou seja 21 kms, e assim foi, uma para experimentar, uma para me testar é outra com um bom tempo para me arriscar. Desta forma, 2018 ficou agendada a minha estreia em uma maratona, cogitei em estrear em alguma prova da America do Sul, onde a temperatura é mais amena, mas iria me criar empecilhos, assim sendo a escolhida foi a Maratona do Rio, provavelmente uma das mais lida do mundo. Logo assim que estava definida a data, comecei me preparar seis meses com antecedência e de "cara" me deparei com um dos períodos profissional mais agitado em toda minha vida, trabalhando entre 12 hs e 14 hs por dia, assim minha esposa me deu uma boa ideia, fazer uma treino entre terça-feira e quinta-feira e os outros dois no sábado e domingo, tempo para fortalecimento muscular, nem pensar, algumas semanas somente conseguia treinar sábado e domingo, os treinos longos, consegui concluir todos, nem sempre com o pace desejado, outra coisa que foi bem difícil foi continuar treinando na ciclovia próxima a minha residência, com 7 kms de extensão, tomei horror a este percurso, fui procurando novos locais, alguns me animavam e outros decepcionantes, mas o pior foi com algo que não imaginava que me incomodaria, treinar só, isso foi massacrante psicologicamente falando, o que me salvou foram algumas provas que eu duplicava, triplicava, acrescentava kms, mas pelo menos via gente, isso me fazia bem.
Mas chega dessa "ladainha", vamos falar do dia "D", lembra no início que falei que não temia uma maratona, então, quebrei a "cara", subestimei a mãe de todas as corridas. Me programei para finalizar a prova entre 3 hs e 45 min. e 3 hs e 50 min., fazer acima de 4 hs, não havia possibilidades. Comecei acelerando um pouco para fugir de alguns paredões e no km 3 já conseguia correr no meu ritmo desejado sem ninguém me atrapalhar, logo no km 5 dormência no pé esquerdo, no km 10, minha panturrilha começou dar sinal que poderia me dar problema, mas antes do km 15, colei no pacer de 5' 30" e fomos embora, foi ótimo, pois desacelerei, me distraí e desapareceu qualquer problema, passei o km 21 com 1 h e 55 min. super tranquilo, quando chegamos em São Conrado, avistei a Av. Niemeyer, uma ladeira de 2 kms e por incrível que pareça, nunca havia corrido naquele trecho, assim quando pisei na pirambeira as pernas pesaram, somente olhei o pacer se distanciando, mas continuei correndo e muita gente me passando, logo percebi que meu rendimento estava baixando, fiquei tranquilo, pois quando terminasse o aclive, iria me recompôr, mas não aconteceu, veio o declive e nada, pensei na reta volto ao normal e nada, km 30 e diversas pessoas torcendo, aplaudindo e aquilo não surtia efeito positivo para mim, portanto mentalizei que seguiria até ao km 37 na "merda" e posteriormente seria tudo ou nada e foi o nada, caminhei um minuto, para ver se voltaria correr melhor e não adiantou, continuei correndo travado, parecia que tinha chumbo nas pernas, decidi voltar a caminhar mais uns 300 metros, logo surgiu um corredor e me puxou, íamos em bom ritmo, mas não consegui acompanhá-lo e caminhei, mais uns 300 metros no km 40 e em seguida voltei a correr igual gente, cheguei aparentemente ótimo, com 4 hs 15 min. Mas somente eu sabia o que tinha passado, pela primeira vez quebrei ao ponto de caminhar, fiquei chateado, ao mesmo tempo rindo de mim mesmo, por ter subestimado a mãe das corridas a maratona. Mas é óbvio que ano que vem vou novamente irei destruir aquela ladeira da Niemeyer. Acho que faltou fortalecimento muscular, mas faltou respeito aos 42 kms. Ano que vem tem mais e irei me preparar como um lutador de UFC. Erivelton x Niemeyer!

       
  

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