TODA MARATONA, É COMO SE FOSSE A PRIMEIRA - MARATONA DO RIO 2015

Por Tathiane Ferreira

Mania de "corredor tarja preta" (pessoas que não conseguem viver sem a corrida de rua), é querer estar junto dos outros "tarjas", todos os domingos. Seja pra correr, seja só pra dar pinta, seja pra tirar fotos. Além de receber a medalha, a recepção dos amigos é algo indescritível. 

Me encontrava ciente que teria um grande volume de trabalho na organização pré maratona com os 180 inscritos pela Equipe Correr Entre Amigos a qual faço parte da estrutura administrativa. Achei que precisava colocar os treinos em dia, mesmo sem tempo pra isso, na segunda feira (20) corri 25K. Corri e arrumei um problema. Dor no calcanhar. Fiquei preocupada, desanimada, recebi carinho com incentivos e consolos, mas sabia que a culpa era minha, poderia ter descansado, porém mesmo com a dor, nem de longe cogitei a ideia de correr a meia maratona e fui me cuidar pra aturar os 42.195m.

 Depois de um sábado cheio e muito recompensador no desenrolar das entregas dos 180 kits da equipe, dormi cedo e às 03:45 da madrugada estava de pé. O ritual de sempre e um papinho com a Claudia e a Tia Verinha (minha chefa e sua mãe). Esta última, estava de olho pra eu não sair sem comer, me despedi delas e parti para a Praça Tim Maia (ponto de encontro da largada).

Não tem como relatar tudo, na verdade nem seria bom, mas dá pra dizer que vi: pessoas nervosas, tranquilas, sorridentes. Vi pessoas numa só batida e observando semblantes, não tinha pace pra separar, todos passariam no mesmo percurso, com passadas distintas, muitas pisadas e suores derramados, deixaram na minha percepção, um motivo mais forte pra não pensar em parar, não tem dor nessa hora, só vontade.

Nessa minha Maratona do Rio, a vontade foi o que mais me moveu. A vontade de querer ajudar minhas amigas que estavam ali pela primeira vez e infelizmente, não pude ajudar muito, pois eu também sentia dores. A vontade de não fraquejar por causa da minha "companheira", a dor na posterior direita. 

De todas as  vontades nessa maratona, a de encontrar o Erivelton nos 30K foi a mais forte de todas e foi o meu primeiro momento mais feliz da prova.  Junto da Sam, fomos até a descida da Niemayer. Com ele do meu lado, a orla de Ipanema e Copacabana passou rápido, pois controlava minha ansiedade, meus passos foram mais cadenciados. Assim passamos por várias pessoas. Muitas andavam,mas resistiam bravamente, aos espasmos, mas eu gritava a cada um que reconhecia pelo caminho. Queria que todos chegassem, queria que todos estivessem felizes como eu estava.

Algumas vezes aqui, falei na primeira pessoa, mas na maratona, o eu não é propriamente eu. Quero dizer, todos. Quando cheguei, foi como se cada um que eu ouvia gritando fosse eu. Gritei mais ainda quando recordei rapidamente que ano passado, na minha primeira vez, poucos conseguiram ficar para acompanhar a chegada do pessoal. Gritei porque eu sabia que tinha melhorado meu tempo. Gritei porque via os 195m muito longe, queria chegar. Além de feliz, eu tive durante todo o percurso, diversas e as melhores companhias. Com meu lenço de São Jorge amarrado na minha perna esquerda, intercedia junto a Deus para que não sentisse dor no calcanhar. Tudo foi importante, mas Deus permitiu que no Km 30, o meu Chamego estivesse lá. Que deixa minha vida com um colorido ainda mais vibrante e quando eu o vejo, consigo, traz a mesma vontade que tenho, de fazer das coisas simples, as mais marcantes e todas, como se fossem a primeira vez.




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