Realizado pela segunda vez no Jacarezinho, o Projeto de Braços Abertos movimentou a comunidade do Jacarezinho na zona norte do Rio de Janeiro na manhã deste domingo, 24 de agosto. Sob sol forte e ao som de hits, cerca de dois mil corredores participaram da prova de 5km, que teve largada às 8h. Mais uma vez foi dada uma grande oportunidade de integração entre moradores da comunidade e moradores de fora. Antes um local que lembrava o velho “faroeste” por se tratar de um território de altíssimo perigo, por conta do tráfico armado pelas redondezas, mas neste domingo reinou o esporte. Com grande segurança policial, mas lembrando que não havia clima de tensão, muito pelo contrário, os policiais estavam curtindo o evento junto com os atletas e moradores da favela. O vencedor da prova foi Cleiton Pedro Machado, com o tempo de 17m10s. O segundo lugar ficou com Sandro Rodrigo Dutra, com 17m15s, e, fechando o pódio, Ivandro Bernardo dos Santos, com 17m25s. Entre as mulheres, a campeã foi Ana Paula Leotério (21m38s). Rosalie Marin veio em seguida, com 24m05s e Gilmara Santos completou o trio, marcando 25m19s no cronômetro. Cliquem aqui para verificar os demais resultados.
Análise Crítica:
Integrar à população de fora da comunidade para dentro utilizando o esporte é uma ótima forma de quebrar algumas barreiras ainda existentes na sociedade e o esporte é um excelente “remédio” para uma “doença” chamada preconceito. Além disso, a X3M que organiza o evento faz de forma impecável, mesmo tratando-se de uma corrida com o valor simbólico de 2kg de alimento não perecível, os atletas participaram de um evento de um bom nível, incluindo os belos kits do Projeto de Braços Abertos, sendo boné, sacola e camisa, tudo com um designer de primeira, além das tradicionais fotos de pôr na geladeira e também o concurso fotografe esta ideia, que são fotos do evento que basta o envio para o Instituto XTerra assim concorrendo a prêmios em dinheiro. O percurso de 5km pela região do Jacarezinho me pareceu um dos mais leves do circuito Braços Abertos, ideal para quem está começando no esporte. A hidratação foi dentro dos padrões necessários. Gostei muito como a PMERJ se comportou, pois via nos semblantes dos policiais a alegria da participação, alguns trabalhando na segurança e organização outros como corredores, eu acho que estes simples fatos são as verdadeiras conquistas.
Infelizmente nesta prova houve pontos negativos no básico de uma corrida, que foram os staffs, pois aconteceram algumas situações bem “chatas”, como o pelotão de corredores que estavam na frente, cerca de seis atletas, fizeram o trajeto errado, aumentando seu percurso, não sei explicar se foi a falta de staffs ou se os mesmos direcionaram os atletas equivocadamente. Um ponto que fiquei muito triste foi no km 1, que um atleta colidiu com uma senhora que andava desatenta dentro da comunidade, um local que aparentava uma feira, presenciei muitos esbarrões neste momento, fiquei preocupado, neste trecho deveria ter sido feito um isolamento por alguns minutos. Apesar de ter elogiado os 5km do percurso o seu isolamento poderia ter sido melhor, pois em algumas marcações de cones só se dava para correr em fileiras de um. Foi dentre as provas do Projeto de Braços Abertos onde identifiquei mais problemas por conta dos staffs, peço aos organizadores para reforçarem e reestudarem estas questões.Minha Prova:
Durante a semana me surgiu uma pequena dor aguda na região do tornozelo, logo pensei na prova do Jacarezinho de Braços Abertos, porém tratei e fiquei observando e diminui o ritmo de treino. Fiz um treino teste e constatei que daria para correr tranquilo, mas teria que ser conservador. E lá fui eu no domingo, com meus amigos Leandro Xavier, Beg, Juninho e desta vez o meu amigo judoca Sensei Marcelo Copeli um amigo das antigas do judô. Esta história de sensei (significa professor em japonês) é desde quando passamos no exame de faixa preta lá no túnel do tempo meados da década de 90. Mas deixa-me descrever a corrida... Meu intuito era correr no ritmo de 4:30/km uma velocidade conservadora para mim nos 5km, devido a dois motivos o tornozelo e por não conhecer o percurso, pois ninguém sabia me informar se havia aclives. Então fiz o aquecimento e larguei no mesmo ritmo do Copeli, já quase concluindo 1 km ele me avisou que estávamos abaixo de 4:00/km, assim desaceleramos um pouco, em seguida passamos por uma viela que havia uma espécie de feira, que loucura esbarrões para todos os lados, inclusive o acidente com a senhora que citei acima, logo em seguida uma pequena ladeira, então me veio na consciência “porque não larguei mais lento?” a partir de então fiz a descida bem forte e logo depois outro aclive, também leve, mas que me “deixou com a pulga atrás da orelha”. Será que haveria mais ladeirinhas? E fui correndo estrategicamente, sendo conservador, torcendo para existir mais uma ladeira no percurso, pois estava em um bom ritmo, seguro que daria para subir mais um aclive sem perder a velocidade e posteriormente desceria com tudo, assim ultrapassaria a galera que estava 100 metros na minha frente, pois iriam dar uma pequena travada no ritmo, enquanto eu iria acelerar. Mas não aconteceu, não apareceram mais subidas, só me restou ao avistar a placa de 4 km pisar no “acelerador” um pouco mais forte e puxei minha bandeira do Brasil do bolso faltando uns 200 metros para marcar aquele local, como solo brasileiro, como símbolo de patriotismo, para lembrar que um dia aquela região que foi esquecida, que foi totalmente isolada pelo tráfico de drogas então passei pelo arco sorridente com 22:03, sendo 8º na categoria 35-39 e 43º no geral, mas estes números de cronometragem não me importavam naquele momento, pois o Jacarezinho era representado por diversos atletas corredores e então abri minha bandeira brasileira sobre o gramado sentei-me ao seu lado e fiquei aguardando meus amigos com um grande orgulho de ser um atleta brasileiro e poder fazer parte daquela festa. Logo em seguida dei duas entrevistas, não pelo meu tempo e minha colocação, mas pela linda bandeira que fiquei vestido e assim pude falar um pouco da importância de considerar o Brasil como um todo, sendo a estrela maior naquela ocasião o Jacarezinho!
Da esquerda para direita: Marcelo Copeli, Juninho, Leandro Xavier, Beg e Erivelton
Um novo amigo de corrida Daniel Nicolau
Uma nova amiga corredora Fatima Guedes
Galera do Grupo Reciclados por Corrida
Trio faixa preta: Erivelton, Policial Bragança e Marcelo Copeli
Momento descontraído do Grupo Reciclados por Corrida
Pódio masculino, esquerda para direita: 2º Sandro Rodrigo, 1º Cleiton Pedro, 3º Ivandro Bernardo
ESTAREI POSTANDO OS VÍDEOS DAS ENTREVISTAS ASSIM QUE ESTIVEREM DISPONÍVEIS.









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