Por Fabio Favaris - Profissional de Ed. Física
@ffavariscoach

A cada dia é maior o número de pessoas que aderem a prática de corridas de rua. Com a repercussão cada vez maior nos veículos de comunicação e provas que atendem desde o ultra maratonista, até os iniciantes que estão em busca dos seus primeiros 5km, a venda de relógios equipados com a função de monitorar os batimentos cardíacos, aumenta consideravelmente. Hoje em dia é possível encontrar modelos para todos os gostos e bolsos, entretanto, para que o usuário escolha o modelo que mais atende suas necessidades, deve estar atento a alguns detalhes, pois a maioria dos relógios comercializados oferece a função “zona alvo de treinamento”. Até aí tudo bem, isso seria algo benéfico uma vez que bastaria adquirir o equipamento que o mesmo se encarregaria de “calcular” sua carga de trabalho.
Acontece que na prática não é bem assim que ocorre. Geralmente os frequencímetros trabalham com estimativas baseadas na famosa fórmula atribuída a Karvonem (220-idade) para realizar o cálculo da zona alvo de treinamento e utiliza outros parâmetros como estatura e massa para realizar cálculos de calorias gastas, entre outros. O fato de ter um treinamento “prescrito” por um equipamento eletrônico pura e simplesmente pode representar um perigo sem precedentes para o usuário. Vejamos no exemplo abaixo:
Atleta 18 anos: 220-idade = 202, logo em uma zona aeróbia entre 70 e 80% da Frequência cardíaca máxima, este atleta deveria, segundo o frequencímetro, correr entre 141 e 161bpm.
Sedentário obeso 18 anos = 202, logo em uma zona aeróbia entre 70 e 80% da Frequência cardíaca máxima, este sedentário deveria, segundo o frequencímetro, correr entre 141 e 161bpm.
O exemplo acima deixa evidente que calcular a frequência de treino, baseado apenas na idade, poder trazer consequências desastrosas para o usuário, pois além da idade devemos levar em consideração o nível de treinamento do usuário, por meio da frequência cardíaca de repouso. Logo, recomenda-se que siga fielmente um protocolo de aferição da frequência cardíaca de repouso, que deve ser mensurada pela manhã, logo depois de acordar e considera-la para calcular as zonas alvo de treinamento. A frequência cardíaca de repouso é um dos indicadores mais confiáveis relacionados ao condicionamento cardiorrespiratório, pois quanto melhor condicionado o indivíduo estiver, menor será sua frequência cardíaca de repouso.
Respondendo a pergunta feita no título do artigo, ao comprar um frequencímetro, procure um profissional de educação física capacitado para calcular sua zona alvo de treinamento com base nos seus objetivos, ou ainda se possível, realize um teste ergoespirométrico para obter as zonas de treinamentos mensuradas diretamente, sem a necessidade de estima-las por meio de fórmulas.



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